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"Saber que liberta: educação além do capital"

  • Foto do escritor: João Erivan
    João Erivan
  • 8 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura


Por João Lima (Coletivo Ação Ubuntu)



Vivemos num tempo em que tudo parece ter virado moeda. Do entretenimento ao afeto, quase tudo tem um preço. E, nesse cenário, a educação, que deveria ser o caminho mais humano para o crescimento pessoal e coletivo, corre o risco de ser vista apenas como investimento, um meio de ascensão financeira, uma escada para o sucesso individual. Mas será que aprender é isso? Será que o saber pode ser reduzido a capital?


Educar-se é um ato de liberdade, não de lucro. Quando aprendemos por desejo, por curiosidade, por sede de compreender o mundo, estamos tocando o verdadeiro sentido da educação. É nesse espaço que o saber deixa de ser mercadoria e volta a ser o que sempre foi: partilha, diálogo, transformação. Quem aprende de verdade não acumula títulos nem diplomas, acumula humanidade.


“A educação é a socialização metódica das novas gerações.” - Émile Durkheim

O problema é que, numa sociedade desigual, o acesso ao saber muitas vezes é comprado. Enquanto uns estudam em escolas e universidades caras, outros precisam lutar diariamente para ter o mínimo de oportunidade. Ainda assim, é curioso perceber que os mais “educados” nem sempre são os que mais pagaram. O saber verdadeiro não depende de mensalidade, mas de abertura. É sempre educado aquele que não paga pelo saber, porque entende que aprender é um ato gratuito no sentido mais profundo, não de custo zero, mas de generosidade.


A educação, quando é vivida com propósito, nos liberta da ignorância e da servidão. Ela faz o pobre sonhar e o rico refletir; faz o oprimido perceber que tem voz e o opressor perceber que precisa ouvir. É a força que muda trajetórias e reescreve destinos. E é justamente por isso que a educação não pode ser capital. Ela é o contrário disso: é a possibilidade de enxergar o mundo para além do lucro, é o caminho de ascensão não apenas social, mas também espiritual e humana.


“A educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo.” -  Paulo Freire

Aprender é um ato de resistência. Num tempo em que tudo se vende, continuar acreditando no poder do saber é quase um gesto revolucionário. Porque no fim, o verdadeiro educado não é o que paga pelo saber, mas o que o compartilha.





Referências bibliográficas


DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. São Paulo: Melhoramentos, 1978.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 50. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. 42. ed. Campinas: Autores Associados, 2012.


 
 
 

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