"Prisão mental: a cobrança constante pela perfeição nos meios educativos"
- João Erivan

- 25 de out. de 2025
- 2 min de leitura

Entre notas e metas, o aprendizado virou cárcere e o humano, desempenho.
Vivemos tempos em que o aprender deixou de ser descoberta e passou a ser desempenho. A escola, espaço que deveria libertar mentes, muitas vezes se transforma numa prisão invisível, feita de notas, metas, boletins e expectativas. Dentro dela, professores e estudantes se vigiam, se cobram e se comparam como se o erro fosse crime e a perfeição, uma sentença obrigatória. Mas o que acontece quando a busca por ser “bom” demais começa a nos afastar de sermos humanos?
A educação, que um dia foi vista como caminho para a autonomia e o pensamento crítico, parece ter sido engolida por uma cultura de produtividade. Em vez de formar sujeitos conscientes, forma-se sujeitos cansados. O aluno precisa tirar dez, o professor precisa “dar conta do conteúdo”, e a instituição precisa apresentar resultados. O conhecimento, que antes nascia do encontro entre o saber e o viver, se perde na pressa das planilhas e no medo das avaliações. Como lembra Byung-Chul Han, vivemos numa “sociedade do cansaço”, onde o sujeito se torna algoz de si mesmo na tentativa de corresponder ao ideal de eficiência.
Essa prisão mental tem grades sutis: o medo de errar, a comparação constante, a ideia de que só vale o que é perfeito. E ela não está apenas nas salas de aula, está nas redes sociais, nas famílias, nas políticas educacionais e até na nossa forma de olhar para nós mesmos. Criamos um sistema que confunde educação com desempenho e esquecemos que aprender é, antes de tudo, um ato de humanidade. Paulo Freire já advertia: ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as condições para que o outro o construa consigo. E construir exige tempo, tropeço, silêncio e afeto.
A cobrança pela perfeição não é apenas pedagógica; é social. O estudante é pressionado a “ser o melhor” porque o mundo cobra produtividade, sucesso e aparência de equilíbrio. O professor é cobrado a ser exemplo, gestor, psicólogo e salvador, tudo ao mesmo tempo. O resultado é um ambiente emocionalmente exausto, em que ninguém se sente suficientemente bom. E quando a educação perde a ternura, perde também a sua função transformadora.
Talvez o caminho seja reaprender a valorizar o processo e não apenas o resultado. Permitir o erro, o rascunho, o ensaio. Fazer da escola um espaço onde se possa respirar, experimentar, duvidar e recomeçar. Libertar o pensamento da cela da perfeição é devolver à educação o seu sentido humano: o de formar seres que aprendem a ser, e não apenas a performar. A perfeição, afinal, não educa, ela aprisiona. É o imperfeito que nos ensina a crescer.
“O erro não é um fracasso. É um ensaio da liberdade.”
[Nota] :
Este texto em estilo resenha, nasce da vivência pessoal no meio Acadêmico. Ubuntu é coletivo, pensar Educações, é pensar coletividade. Que possamos juntos formentar práticas e ambientes pedagógicos, humanizados.




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